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Hoje somos Nayem Elgarhi, somos a mãe que chora por seu filho. Hoje somos um dos mortos, cada um dos espancados no acampamento de Gdeim Izik. Hoje somos cada um dos desaparecidos, cada um dos violentados, cada um dos perseguidos por alçar sua voz. Hoje somos um dos esquecidos. Hoje também pertencemos a um povo saharáui ferido.
Pressenza, Las Palmas, 15/11/10. Impõem-se a grosseira violência de uns e a vergonha de outros. E enquanto em um lugar, as crianças choram a barbárie em silêncio, em outro os líderes políticos nos dizem que não importa o sofrimento de milhares para garantir o bolso de uns poucos.
Hoje sentimos a impotência dos ativistas saharáuis da violência e compartimos seu grito pedindo ajuda. Ajuda para salvar sua gente agora, e ajuda para criar uma realidade diferente amanhã. Para que as novas gerações não aniquilem seu espírito emaranhando-se em uma espiral de violência desesperada. Porque... Como se explicam ao jovem que vê como maltratam sua mãe, como desaparece seu pai, que sente o temor os olhos de seu irmão, que se encontra abandonado pelo resto do mundo? Como se explica que responder à violência com violência, só somará mais dor à dor e mais sofrimento? Como lhe dizer que aprenda a resistir semelhante monstruosidade, desde a não-violência? E, no entanto, não há outro caminho válido. Não há outro caminho mais poderoso que esse, nem mais valente, nem mais eficaz. Não há outra forma de acabar com a violência. Mas nesse difícil caminho, deveriam sentir-se acompanhados.
Há um ano fizemos a Marcha Mundial pela Paz e pela Não-violência. Os amigos do Saara também caminharam junto a nós, para criar consciência de que um mundo diferente era possível. Naquele momento dissemos que essa era a Marcha dos invisíveis, dos que não são escutados... E seguimos sem ser escutados. Poderia parecer que fracassamos um e outra vez. Mas o certo é que seguimos na tentativa uma e outra vez. Silo disse uma vez que somos um Davi frente a um insolente Golias, a suavidade da água frente à dureza da rocha, a força do débil... e ainda quando não consigamos imediatamente os resultados que esperamos, esta semente já existe e espera a chegada dos tempos vindouros. Há um nós demonstramos que milhares de pessoas de distintas latitudes, de distintas crenças, de distintas gerações, podiam unirem-se no essencial e isso não foi um fracasso, porque ficou como referência no coração de muitos. Não temos o poder, somos humildes. Mas sempre podemos fazer algo e sempre podemos fazer algo e sempre se podem mudar as coisas. E se ontem marchaste pela paz, hoje em base ao mesmo registro, tu podes dizer que também és um saharaui.
E então, o que pode ser feito por seu irmão? Diz-lhe que estás com ele, que não estão sós. Mostra teu rosto e faz escutar sua voz... Diz a ele também ao poderoso. E possivelmente sigam sem escutar-nos uma vez mais, mas não poderão dizer que transformarão o mundo.
E tomara, como dizia um velho livro e um grande mestre, chegará por fim o dia em que as armas serão convertidas em ferramentas de lavoura.
Desde este link, pode ser enviada uma mensagem aos representantes euro-parlamentares, exigindo que se pronunciem ante a violação dos direitos humanos no Saara. www.sahararights.net
Para todos, um desejo de Paz, Força e Alegria.
Lilián Cabrera Centro Humanista das Culturas Las Palmas, Islas Canarias, España
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